AMBIGUIDADE
Existe mesmo e quase que se cheira
Invade-nos devagar e com meiguice,
Não pretende querer ser matreira
E actua sem nenhuma intrujice.
Não tem nada a haver com contradição
Nem mesmo com a Santa tolerância,
Transporta a sabedoria numa mão
E na outra, a maldade em abundância.
Arrasta um perfume tão vazio
Mantém o lume de um pavio
E espalha o nada no tudo.
Não gosto dela respeitosamente
Enfrento-a escandalosamente,
Mas a sua força deixa-me mudo.
Estoril, 5 de Novembro de 2004
Francisco da Renda
AMBRÓSIO
Foi o nome que dei a um incógnito
E acreditem, foi mesmo de propósito,
Porque não imagino quem é o dito:
Podes ser tu ou eu, com o mesmo fito.
Respeitamos a diferença,
A integridade e o mau-estar
De olharmos para dentro (a ver o mar)
E constatarmos a indeferença.
Ambrósio, se és o meu espelho,
Quero voltar a ser fedelho
E acreditar no impossível!
Não aquele que é atingível,
Mas sim, no que é transgredível
E para sempre invisível.
Estoril, 4 de Julho de 2004
Francisco da Renda
AMIGA
(dedicado à Cecil)
“...De Angola, apenas
Tenho uma grande amiga...”
Que palavras serenas!
Não te vêm da barriga,
Porque essa só sofre.
Vêm-te da Alma enorme
E do Coração que não é torpe,
E ambos estão conforme.
Conforme o que estás a passar,
Que só tu, só tu o sabes.
Por tudo o que quiseste amar
Lembra-te dos velhos mares,
Revoltosos e traiçoeiros
Bravos e enganadeiros,
Mas sempre a atravessar o muro
Aquele, que tu o farás no futuro.
Sou Sanzaleiro de alma e coração,
Vou ficar teu amigo, com muita emoção
E sempre a acreditar, que a evolução
Irá contribuir para a tua devolução.
Estoril,13 de Maio de 2004
Francisco da Renda
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Volume I
AGRURA
Que palavra tão estranha
Que revela coisas feias.
Se tudo é patranha
Porque ficamos a meias?
Tudo o que nos rodeia
Tem a sua razão de ser,
Ficamos numa teia
Sem a querermos ter.
Só temos cinco sentidos
Todos muito atentos,
Não nos fazemos entendidos
Será que somos lentos?
Muito mais queremos
Do que aquilo que temos,
Será que não podemos
FICAR ASSIM!
Estoril, 15 de Julho de 2003
Francisco da Renda
AINDA O MAR
Fez-me companhia desde que nasci
Exacerbou tudo o que senti
Fez-me crescer.
Deu-me a noção de ser minúsculo
Ensinou-me a contemplar o crepúsculo
Fez-me viver.
Mostrou-me o contraditório
Foi o meu grande oratório
No mar vou a enterrar.
Estoril, 27 de Março de 2005
Francisco da Renda
ALEGRIA
Está presente em tudo e em todo o Ser,
Mas (quase) nunca damos pela sua presença.
Manifestamos tantas emoções, com uma sentença:
Não sejas infeliz, pois o Paraíso hás-de o ver!
Todos os dias eu sinto a Alegria,
Está-me no corpo, no pensamento e na minha mão,
Só preciso é de usar, com muita Mestria
O que os mais sábios me puseram no coração.
Se fosse fácil calcular esta poção
Não haveria dôr, sofrimento ou degradação
Pura e simplesmente.
O que nos faz entrar por uma porta
Inacessível, encerrada e torta?
É a Alegria que nos é, inerente.
Estoril, 29 de Maio de 2004
Francisco da Renda
sábado, 3 de fevereiro de 2007
Volume I
ACÇÕES, ACÇÕES
Quando não estou bem
Penso em agir
P’ra tentar sair
Daquilo, que se não tem.
Esqueço o meu coração
E procuro o Cérebro amigo,
Então, os que estão comigo
Onde eu for, comigo vão.
Onde não há educação, há pobreza
Que é feito da esperteza
Que nos deram ao nascer?
Vamos pô-los a aprender
Que passar fome, só por querer,
Nunca para enriquecer.
Estoril, 5 de Junho de 2003
ADAPTAÇÃO
Um leão no polo norte
Um pinguim em S. Tomé!
Eu, armado em forte
Nunca senti tal fé.
Os mais puros, virgens e inocentes
Nunca se adaptam ao ambiente.
Por isso, são reais e valentes
Sem se enganarem. Que surpreendente?
Adaptação, não é uma palavra vã
Apesar de ser sã.
Nem todos a sentem
E muito menos a entendem,
A não ser os que compreendem
Que as palavras, vão e vêm.
Estoril,30 de Março de 2004
AEROPORTI di ROMA
Sala de fumo. Observo rostos cansados,
A maioria tristes e os restantes assim-assim,
Asiáticos (muitos), Africanos e até bastardos
Parecidos comigo. E esta espera não tem fim.
Olhos rasgados, bocas finas, narizes aduncos
Refectindo nuns, uma alma inquieta,
Noutros, uma serenidade quase asceta
E até vislumbro alguns frúnculos.
Os cigarros, colados à boca ou presos nos dedos,
Libertam um fumo denso que não esconde os medos
Que eu vejo naquelas expressões.
Acendo mais um cigarro e já não vejo ninguém,
Terei sonhado? O fumo ainda se mantém
A fazer lembrar-me estas divagações.
Roma, 3 de Janeiro de 2005
Quando não estou bem
Penso em agir
P’ra tentar sair
Daquilo, que se não tem.
Esqueço o meu coração
E procuro o Cérebro amigo,
Então, os que estão comigo
Onde eu for, comigo vão.
Onde não há educação, há pobreza
Que é feito da esperteza
Que nos deram ao nascer?
Vamos pô-los a aprender
Que passar fome, só por querer,
Nunca para enriquecer.
Estoril, 5 de Junho de 2003
Francisco da Renda
ADAPTAÇÃO
Um leão no polo norte
Um pinguim em S. Tomé!
Eu, armado em forte
Nunca senti tal fé.
Os mais puros, virgens e inocentes
Nunca se adaptam ao ambiente.
Por isso, são reais e valentes
Sem se enganarem. Que surpreendente?
Adaptação, não é uma palavra vã
Apesar de ser sã.
Nem todos a sentem
E muito menos a entendem,
A não ser os que compreendem
Que as palavras, vão e vêm.
Estoril,30 de Março de 2004
Francisco da Renda
AEROPORTI di ROMA
Sala de fumo. Observo rostos cansados,
A maioria tristes e os restantes assim-assim,
Asiáticos (muitos), Africanos e até bastardos
Parecidos comigo. E esta espera não tem fim.
Olhos rasgados, bocas finas, narizes aduncos
Refectindo nuns, uma alma inquieta,
Noutros, uma serenidade quase asceta
E até vislumbro alguns frúnculos.
Os cigarros, colados à boca ou presos nos dedos,
Libertam um fumo denso que não esconde os medos
Que eu vejo naquelas expressões.
Acendo mais um cigarro e já não vejo ninguém,
Terei sonhado? O fumo ainda se mantém
A fazer lembrar-me estas divagações.
Roma, 3 de Janeiro de 2005
Francisco da Renda
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Volume I
A MINHA VIDA
Parafraseando “Felisteu”, a Vida
...É de infinito a infinito...
Para mim, que não conheço
O que está para além de nós,
É simplesmente estar cá
Com aqueles que nos amam
E nos perdoam sermos assim.
Quando me perguntam
Se estou bem? Respondo: basta acordar.
Limitações, dirão uns
Certezas, digo eu.
Nesta roupa que me deram
Tentei adaptar-me
Com e sem sofrimento.
O que é certo
É que gosto muito
De todos os dias acordar.
Estoril, 25 de Maio de 2003
A.LILY DELGADO
Aiuê Kamundongo!
Aiuê Kalú!
Aiuê Calcinha!
Foste de Dongo
P’ra ocidental Indiazinha
Aka, Soba Iazú.
Sempre foste e hás.de-ser
Angolano de pedra e cal,
A América fez-te crescer
No meio de muito sal.
Meu “irmão” e companheiro
Inventaste um Hifen
Que une o caminheiro
Que não furou o Himen.
Estoril,14 de Junho de 2004
Estoril, 22 de Março de 2005
Parafraseando “Felisteu”, a Vida
...É de infinito a infinito...
Para mim, que não conheço
O que está para além de nós,
É simplesmente estar cá
Com aqueles que nos amam
E nos perdoam sermos assim.
Quando me perguntam
Se estou bem? Respondo: basta acordar.
Limitações, dirão uns
Certezas, digo eu.
Nesta roupa que me deram
Tentei adaptar-me
Com e sem sofrimento.
O que é certo
É que gosto muito
De todos os dias acordar.
Estoril, 25 de Maio de 2003
Francisco da Renda
A.LILY DELGADO
Aiuê Kamundongo!
Aiuê Kalú!
Aiuê Calcinha!
Foste de Dongo
P’ra ocidental Indiazinha
Aka, Soba Iazú.
Sempre foste e hás.de-ser
Angolano de pedra e cal,
A América fez-te crescer
No meio de muito sal.
Meu “irmão” e companheiro
Inventaste um Hifen
Que une o caminheiro
Que não furou o Himen.
Estoril,14 de Junho de 2004
Francisco da Renda
ABSTRACTO
O tempo avança e mudam-se os conceitos,
Casamentos do mesmo sexo com filhos
À mistura e crianças com armas nos trilhos
Da guerra (futuros seres humanos desfeitos).
Chuva no Verão arrasando com inundações
Seca no Inverno queimando as reservas
Países e Povos irmãos aos trambolhões
Construções erradas em cima das ervas.
O que era vago, irreal e inatingível
Como os papagaios com cabeça de potros
Tornou-se palpável, concreto e inteligível.
Não há muito tempo tudo isto era abstracto,
Confuso, longínquo e só acontecia a outros,
Hoje está presente e é lei sem artefacto.
O tempo avança e mudam-se os conceitos,
Casamentos do mesmo sexo com filhos
À mistura e crianças com armas nos trilhos
Da guerra (futuros seres humanos desfeitos).
Chuva no Verão arrasando com inundações
Seca no Inverno queimando as reservas
Países e Povos irmãos aos trambolhões
Construções erradas em cima das ervas.
O que era vago, irreal e inatingível
Como os papagaios com cabeça de potros
Tornou-se palpável, concreto e inteligível.
Não há muito tempo tudo isto era abstracto,
Confuso, longínquo e só acontecia a outros,
Hoje está presente e é lei sem artefacto.
Estoril, 22 de Março de 2005
Francisco da Renda
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Volume I
25 DE DEZEMBRO
Neste dia em que nasceu o Menino Jesus
Convencionou-se ser um dia especial.
Minha alma inquieta colocou um capuz
Olvidando a miséria e o lamaçal
Que todos os dias cheiro e sinto
Penetrando e rasgando os meus poros.
Não sei mesmo porque tanto minto
Quando sou forçado a carregar os toros.
Todos os anos prometo, quando abro as prendas
Que Natal é todos os dias, quando faço oferendas.
Consigo até lacrimejar!
Não sei, se pela humana hipocrisia
Ou se pela divina alegria.
Oh! Quem me dera poder mudar!
Estoril, 21 de Dezembro de 2004
Francisco da Renda
À BEIRA
Estou perto
Estou à beira,
Do que está certo?
Lá vou eu pela eira,
Sempre a subir
Sempre com esperança
Continuo a ouvir
A minha lembrança.
Também há a Beira
No mapa de Portugal,
Por mais que eu queira
Apesar de certeira,
Não vejo onde está o mal.
À beira, isto é, no limite
Sempre a bordejar,
Por mais que se imite
A linda estalactite,
Estou sempre a beijar.
O quê? De que maneira?
Tudo ou nada,
Mas sempre à beira
Mesmo com uma peneira
Eu, só vejo a manada.
No limite, nasci
Se calhar, já morri.
Adoro ouvir o “Mi”
Apesar do que li.
À beira vou estar
Embora com pesar.
Estoril, 30 de Julho de 2003
À ESPERA
Estás sempre à espera! Que faça chuva,
Que neve, que isto ou aquilo desapareça.
Mas não acontece nada. Se comes a uva
É claro que esperas que a fome esmoreça,
Se não dizes a alguém que a amas
Nunca irá saber o teu sentimento
E se trancares a vontade, não levantas
Jamais a âncora do teu sofrimento.
Mas tu gostas de esperar, senão mudarias,
Não mudas porque gostas de observar
Lenta e serenamente e não entregarias
Ao pássaro que contemplas ao longe,
A tua preguiça de conjugar o verbo amar.
Um conselho: enquanto esperas, come funge.
Estoril, 31 de Março de 2005
Neste dia em que nasceu o Menino Jesus
Convencionou-se ser um dia especial.
Minha alma inquieta colocou um capuz
Olvidando a miséria e o lamaçal
Que todos os dias cheiro e sinto
Penetrando e rasgando os meus poros.
Não sei mesmo porque tanto minto
Quando sou forçado a carregar os toros.
Todos os anos prometo, quando abro as prendas
Que Natal é todos os dias, quando faço oferendas.
Consigo até lacrimejar!
Não sei, se pela humana hipocrisia
Ou se pela divina alegria.
Oh! Quem me dera poder mudar!
Estoril, 21 de Dezembro de 2004
Francisco da Renda
À BEIRA
Estou perto
Estou à beira,
Do que está certo?
Lá vou eu pela eira,
Sempre a subir
Sempre com esperança
Continuo a ouvir
A minha lembrança.
Também há a Beira
No mapa de Portugal,
Por mais que eu queira
Apesar de certeira,
Não vejo onde está o mal.
À beira, isto é, no limite
Sempre a bordejar,
Por mais que se imite
A linda estalactite,
Estou sempre a beijar.
O quê? De que maneira?
Tudo ou nada,
Mas sempre à beira
Mesmo com uma peneira
Eu, só vejo a manada.
No limite, nasci
Se calhar, já morri.
Adoro ouvir o “Mi”
Apesar do que li.
À beira vou estar
Embora com pesar.
Estoril, 30 de Julho de 2003
Francisco da Renda
À ESPERA
Estás sempre à espera! Que faça chuva,
Que neve, que isto ou aquilo desapareça.
Mas não acontece nada. Se comes a uva
É claro que esperas que a fome esmoreça,
Se não dizes a alguém que a amas
Nunca irá saber o teu sentimento
E se trancares a vontade, não levantas
Jamais a âncora do teu sofrimento.
Mas tu gostas de esperar, senão mudarias,
Não mudas porque gostas de observar
Lenta e serenamente e não entregarias
Ao pássaro que contemplas ao longe,
A tua preguiça de conjugar o verbo amar.
Um conselho: enquanto esperas, come funge.
Estoril, 31 de Março de 2005
Francisco da Renda
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Volume I
Os «Versos de quem não se sente Poeta é constituído por 6 Volumes (por enquanto). Vou começar a colocá-los aqui ao sabor da disposição começando pelo Volume I.
11 DE NOVEMBRO
Data que carrega no seu ombro
Muitas “estórias” e alguma História
Que arquivará os factos dum escombro
Que eu quero que não fique na memória.
O que vale é que se comemora
Com doces castanhas e vinho novo,
Esquecendo a vida que se detriora
Juntando-nos, até virarmos Povo
Inerte, amargo e anónimo
Sem pinta de génio homónimo.
Restam-nos as “estórias”!
Que não precisam de lenitivos e panaceias
Pois fizemos parte delas entrando-nos nas veias
À custa de amarguissímas vitórias.
Estoril, 11 de Novembro de 2004
Francisco da Renda
11 DE NOVEMBRO
Data que carrega no seu ombro
Muitas “estórias” e alguma História
Que arquivará os factos dum escombro
Que eu quero que não fique na memória.
O que vale é que se comemora
Com doces castanhas e vinho novo,
Esquecendo a vida que se detriora
Juntando-nos, até virarmos Povo
Inerte, amargo e anónimo
Sem pinta de génio homónimo.
Restam-nos as “estórias”!
Que não precisam de lenitivos e panaceias
Pois fizemos parte delas entrando-nos nas veias
À custa de amarguissímas vitórias.
Estoril, 11 de Novembro de 2004
Francisco da Renda
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